Respiração

Habitualmente o termo respiração usa-se para designar o fenómeno associado à movimentação do ar para dentro e para fora do nosso corpo. É do senso comum que esse processo é vital e envolve trocas gasosas entre o nosso corpo e o ambiente exterior. Menos comum é o conhecimento dos aspetos físicos e químicos da respiração e a sua complexidade enquanto sistema (respiratório) e no seio da sua relação com os outros órgãos e sistemas do corpo humano, como por exemplo: a boca, o cérebro, sistema circulatório, etc.

Respirar é um fenómeno que envolve vários processos de dimensões macro e microscópica. Ao nível macro são visíveis e/ou detetáveis alguns efeitos que a respiração gera no corpo como por exemplo: sente-se a circulação do ar nas narinas e vê-se a expansão/contração da grelha costal e o consequente movimento do tronco durante a ventilação pulmonar (movimento do ar nas fases de inspiração e expiração). Ao nível microscópico são muitos os processos envolvidos na respiração: as trocas gasosas ao nível dos pulmões; as trocas gasosas e a produção de energia ao nível celular; os processos neuronais que controlam a respiração e fazem a comunicação com o sistema nervoso central, entre outros.

 

A respiração nasal

Este texto refere algumas das funções das vias aéreas (zona condutora) salientando o papel da cavidade nasal ou dizendo de forma mais comum, o interior do nariz.

A cavidade nasal contacta com o exterior através dos dois orifícios a que damos o nome de narinas. As narinas (cavidade nasal direita e esquerda) são divididas por uma parede cartilaginosa (na parte anterior) e óssea (na parte posterior) e estendem-se até à faringe (nasofaringe) através dos coanes (orifícios que contactam diretamente com a faringe)[i].

As narinas, revestidas por membranas mucosas, têm um papel fundamental na climatização do ar que entra para dentro do corpo. O ar exterior passa por vários processos antes de viajar para o interior dos pulmões. Um dos processos mais conhecidos é o de purificação. As pilosidades nasais permitem a fixação de partículas maiores e indesejáveis, como pequenas poeiras, nas paredes mucosas das narinas. Posteriormente através de outros processos essas partículas são removidas pela faringe. A filtragem é sem dúvida um dos aspetos essenciais, mas não o único. As fossas nasais têm também as funções de humedecer e aquecer o ar que entra, tornando-o ameno ao interior dos pulmões que é quente e húmido; servem como compartimento de ressonância (amplificação da voz) e é lá que estão alojadas as estruturas que permitem o reconhecimento olfativo.

Realçando a indissociável relação entre o nariz (sistema respiratório) e a boca (sistema digestivo), pois é difícil comer algo que não tenha um odor aprazível, estes dois órgãos, embora relacionados não se substituem em nenhuma das suas funções.

[i] Espanha, M., Silva, P., Pascoal, A., Correia, P., & Oliveira, R. (2007). Anatomofisiologia, Tomo III. Funções da Vida Orgânica Interna. Lisboa: FMH.