Blog Yogafaro
As camadas da mente
A mente é uma substância homogénea. É mais profunda, mais ampla e maior do que qualquer coisa. Na psicologia moderna, a mente tem sido classificada em três estados: consciente, subconsciente e inconsciente. Na filosofia Samkhya eles são conhecidos como sthula, sukshma e karana, que significa denso, subtil e causal. Daqui podemos entender que a mente tem várias dimensões e modos de perceção. A nossa perceção normal é apenas uma manifestação da mente.
Quando a mente depende dos cinco sentidos para a perceção, é conhecida como mente densa. Por exemplo, somos capazes de ouvir através dos ouvidos ou ver através dos olhos. A este nível, a mente não é independente. Se nós não tivermos olhos, não podemos ver; se formos surdos, não podemos ouvir. Estamos limitados. A perceção da mente está confinada à capacidade dos sentidos. O conhecimento não é possível na mente densa se os sentidos não fornecerem as informações.
De modo a superar esta limitação, os yogis descobriram como expandir as capacidades da mente independentemente das experiências sensoriais. Isto significa que a mente pode ver sem olhos, saborear sem a língua, ouvir sem ouvidos, cheirar sem nariz, e mover-se sem membros. A mente tem dentro de si a capacidade de perceção e cognição, mas a maioria das pessoas não são capazes de a desenvolver.
Se há nuvens no céu, a mente percebe que vai chover. Mas a mente intuitiva de alguma forma, sabe que vai chover mesmo não havendo nuvens no céu. Aqui, o conhecimento da mente não é dependente de fontes externas. Quando o conhecimento é conseguido sem qualquer evidência, base ou hipótese, esse conhecimento é intuitivo. As técnicas do yoga visam desenvolver essa capacidade intuitiva e ao longo do processo vão trabalhando a mente em todas as suas dimensões, levando eventualmente a um estado de completa independência.
Compreender a meditação
Existem duas formas de compreender a meditação. A primeira é aprender e dominar completamente uma técnica de modo a que possamos incorporá-la e tornarmo-nos um com ela. A segunda é desenvolver o nosso conhecimento e aprofundar a nossa compreensão do processo de meditação. Portanto, é muito importante que pratiquemos meditação diligentemente, mas ao mesmo tempo que olhemos para a nossa vida e vejamos como podemos aumentar a nossa consciência dela de uma forma prática.
Quando nos sentamos para a meditação desligamo-nos do mundo exterior e mergulhamos profundamente em nós mesmos. À medida que continuamos a nossa prática, ao longo do tempo, o controlo dos pensamentos torna-se mais fácil, a mente fica mais calma e as tensões emocionais diminuem. Enquanto estamos a meditar a compreensão de nós mesmos altera-se. Mas quando acabamos a prática de meditação, reemergimos para o mundo e assumimos de novo a forma da nossa personalidade, e todos os padrões aprendidos anteriormente. Estes são padrões de comportamento, padrões de pensamento e ideias sobre quem somos e o que podemos e não podemos alcançar.
Tentamos estar ao mesmo tempo, plenamente conscientes tanto dos padrões negativos com os seus medos e preocupações, como da parte mais elevada de nós mesmos, a natureza superior. Na parte mais elevada, está a imobilidade e na parte mais baixa está a turbulência – estas duas partes devem aproximar-se e relacionar-se uma com a outra. Esta é a relação entre o nosso ‘eu’ mais externo e o nosso ‘eu’ mais interno. É a relação entre mente e consciência.
Meditação é gestão da mente. É lembrarmo-nos de quem somos e observar a relação com a mente e as suas actividades, encontrando uma maneira de gerir e integrar essa relação.
Patanjali, que foi um grande sábio indiano, disse que a prática regular, abhyasa, e o desapego, vairagya, são condições necessárias para a meditação. É fundamental integrar a técnica de meditação na rotina diária de modo a que o o nosso estilo de vida suporte e reflita o nosso trabalho interior. É aí que podem surgir dificuldades, porque a capacidade de distração é infinita; temos desejos infinitos que nos mantêm fascinados. No entanto, a meditação aborda este ciclo interminável de desejo e eventualmente leva-nos a um ponto em que temos de examinar o desejo inquebrável que nos mantém vivos, a vontade de viver, e finalmente, a própria morte – o processo de desapego.
Adaptado de um texto de Swami Satyananda
O que é o Yoga?
No que diz respeito à palavra ‘yoga’, é comummente traduzida como união. No entanto como acontece com muitas palavras da língua sânscrita, podem ser usadas em vários contextos com significados ligeiramente diferentes. Por exemplo, se yoga derivar da raíz ‘yuj samadhau´ refere-se a perfeita concentração da mente; se derivar da raíz ‘yujir yoge‘ significa unir. No caso da prática de yoga como técnica milenar, os dois significados anteriores podem ser utilizados para definir o que é o Yoga: União que é atingida com a perfeita concentração da mente. De que união então se trata? União do nosso ser com uma realidade transcendente, à qual uns chamam divino outros estado de iluminação, etc. Independentemente do nome que lhe queiramos dar, parte do pressuposto que existe uma realidade mais subtil à qual o nosso nível de consciência presente não nos permite ter acesso. Contudo vêm descritos nos textos mais antigos, vários caminhos, para conhecer a natureza e a forma de aceder a essa realidade. O Yoga é um dos caminhos possíveis e fornece um conjunto de técnicas para serem utilizadas por quem se propõe aventurar nessa procura.