Compreender a meditação

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Compreender a meditação

Existem duas formas de compreender a meditação. A primeira é aprender e dominar completamente uma técnica de modo a que possamos incorporá-la e tornarmo-nos um com ela. A segunda é desenvolver o nosso conhecimento e aprofundar a nossa compreensão do processo de meditação. Portanto, é muito importante que pratiquemos meditação diligentemente, mas ao mesmo tempo que olhemos para a nossa vida e vejamos como podemos aumentar a nossa consciência dela de uma forma prática.

Quando nos sentamos para a meditação desligamo-nos do mundo exterior e mergulhamos profundamente em nós mesmos. À medida que continuamos a nossa prática, ao longo do tempo, o controlo dos pensamentos torna-se mais fácil, a mente fica mais calma e as tensões emocionais diminuem. Enquanto estamos a meditar a compreensão de nós mesmos altera-se. Mas quando acabamos a prática de meditação, reemergimos para o mundo e assumimos de novo a forma da nossa personalidade, e todos os padrões aprendidos anteriormente. Estes são padrões de comportamento, padrões de pensamento e ideias sobre quem somos e o que podemos e não podemos alcançar.

Tentamos estar ao mesmo tempo, plenamente conscientes tanto dos padrões negativos com os seus medos e preocupações, como da parte mais elevada de nós mesmos, a natureza superior. Na parte mais elevada, está a imobilidade e na parte mais baixa está a turbulência – estas duas partes devem aproximar-se e relacionar-se uma com a outra. Esta é a relação entre o nosso ‘eu’ mais externo e o nosso ‘eu’ mais interno. É a relação entre mente e consciência.

Meditação é gestão da mente. É lembrarmo-nos de quem somos e observar a relação com a mente e as suas actividades, encontrando uma maneira de gerir e integrar essa relação.
Patanjali, que foi um grande sábio indiano, disse que a prática regular, abhyasa, e o desapego, vairagya, são condições necessárias para a meditação. É fundamental integrar a técnica de meditação na rotina diária de modo a que o o nosso estilo de vida suporte e reflita o nosso trabalho interior. É aí que podem surgir dificuldades, porque a capacidade de distração é infinita; temos desejos infinitos que nos mantêm fascinados. No entanto, a meditação aborda este ciclo interminável de desejo e eventualmente leva-nos a um ponto em que temos de examinar o desejo inquebrável que nos mantém vivos, a vontade de viver, e finalmente, a própria morte – o processo de desapego.

 

Adaptado de um texto de Swami Satyananda
By |2017-03-04T17:48:37+00:00Agosto 8th, 2015|textos|0 comentários

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