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Blog Yogafaro

  • Invertida sobre a cabeça

Alinhamento e segurança no Asana (posição de yoga) parte II

Quando não respeitamos o corpo e insistimos em forçar um alinhamento que embora consideremos ser o mais correto para uma determinada posição, não o é para o nosso corpo, estamos a afastar-nos de um dos propósitos do yoga, que é a expansão da consciência. Não podemos expandir a consciência quando permitimos que o ego construa âncoras que nos prendem a ideais desajustados de perfeição. Deixamos de estar receptivos àquilo que está para além das camadas mais densas do nosso corpo e que cada posição faz vibrar de uma maneira muito particular, focando-nos apenas em atingir a forma ideal, correndo o risco de no final atingir uma forma oca e sem substância, vazia de consciência.

O alinhamento base é um ponto de partida, uma referência fundamental para estabelecermos o estado vibratório que caracteriza aquela determinada posição. Contudo para estabelecermos esse estado vibratório, precisamos de um instrumento e esse instrumento é o nosso corpo, e assim como a vibração gerada por um violoncelo a tocar uma determinada nota é diferente no que diz respeito ao timbre da vibração gerada por um violino a tocar essa mesma nota, também diferentes corpos a reproduzir uma determinada posição, podem chegar ao mesmo estado vibratório mas com pernas e braços de comprimentos diferentes. Tomemos como exemplo o fémur, o osso mais longo do corpo humano, duas praticantes de yoga com uma diferença entre elas na forma como as respetivas cabeças dos fémures estão orientadas em relação ao corpo do fémur, podem expressar percepções completamente diferentes de conforto na posição sentada com as pernas cruzadas. Enquanto que para uma a posição sentada de pernas cruzadas pode estar imediatamente acessível e ser muito confortável para a outra essa mesma posição pode revelar-se muito exigente e precisar de algumas adaptações para ser minimamente confortável.

Para alguém que tenha os músculos da cadeia posterior muito encurtados, será mais difícil fazer corretamente uma posição como o paschimottanasana (posição sentada de flexão à frente), sendo que a tendência para forçar a flexão do tronco à frente nesta posição sem conseguir uma boa anteversão da bacia pode levar a uma excessiva compressão dos discos intervertebrais da coluna lombar.

O sirsasana (posição invertida sobre a cabeça) tem benefícios inegáveis, mas tem também um grande potencial para a lesão quando mal executado ou quando executado por alguém que não está devidamente preparada para o fazer. O comprimento do pescoço em relação ao comprimento do úmero (osso do braço) pode em determinados indivíduos representar uma proporção desajustada para a prática desta posição a menos que se façam modificações na abordagem à posição. Insistir nesta posição sem essas modificações de segurança pode por exemplo ao longo dos anos, levar à artrite degenerativa do pescoço.

Perceber a diferença entre superar um desafio e gerar um potencial para a lesão é fundamental. Conjugando uma atenta observação do corpo e sincero respeito pelos sinais que ele nos dá, com uma orientação informada e profissional por parte de quem está a ensinar, conseguimos superar os desafios que cada posição nos apresenta de forma segura e ajustada e dessa forma contribuir para a expansão da consciência.

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  • yogafaro.com

Alinhamento e segurança no Asana (posição de yoga) parte I

Um Asana (posição de Yoga) é muito mais do que um simples conjunto de ângulos entre os diferentes segmentos do corpo e do que uma combinação de regras restritas de alinhamento. É uma estrutura que tendo efeitos benéficos sobre a musculatura, as articulações, o sistema nervoso, sistema endócrino, etc., é principalmente um veículo para a expansão da consciência.


O alinhamento sendo importante e tendo o seu lugar no processo de estabelecer uma base sustentável e segura para a exploração da posição, deverá ser sempre uma sugestão, uma orientação no sentido da otimização da vivência dessa posição, respeitando as características individuais do praticante.


A procura da reprodução exata de uma posição que vemos representada na imagem de um livro ou demonstrada pelo instrutor na sala de aula, leva por vezes ao esquecimento de uma premissa muito simples mas fundamental na correta abordagem ao asana (posição de Yoga) e que é: não há dois corpos exatamente iguais. Havendo uma base anatómica comum a todos os seres humanos, há porém diferenças específicas nessa anatomia que implicam que uma determinada posição perfeitamente executada por duas pessoas possa ter uma expressão visualmente distinta entre elas.


Ter um alinhamento base para cada posição é o primeiro passo no sentido da compreensão da intenção associada a essa posição, dos seus efeitos, e das principais linhas orientadoras da atenção durante a permanência. Embora a segurança na posição comece aqui ela tem que ser complementada com a identificação e compreensão das características individuais de cada corpo. Esse é um trabalho que é em parte da responsabilidade do instrutor, mas também do praticante, na medida em que o yoga é um processo contínuo de auto-conhecimento e esse auto-conhecimento passa por uma identificação das características do nosso próprio corpo e dos seus limites. Observar atentamente o que o corpo nos transmite durante o asana, numa base de aceitação, compreensão e descoberta é uma excelente forma de melhorar a nossa relação com ele, que sentindo-se respeitado, fica mais recetivo a novas conquistas.

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  • retiro de yoga casa terra

Retiro de Yoga na Casa Terra 10, 11 e 12 de Novembro 2017

Com a chegada do Outono e os dias a ficarem cada vez mais curtos a natureza convida-nos à introspeção e ao recolhimento.

É também uma boa altura para participar num retiro, quebrar temporariamente os hábitos instituídos e submergir numa rotina de práticas de Yoga.

Assim como algumas árvores, deixam cair as folhas antigas para que na primavera possam nascer novas folhas verdes e cheias de vida, também nós podemos através das técnicas do yoga dar lugar a novas perspetivas e experiências que nos renovam e estimulam para um processo evolutivo um pouco mais rápido, soltando as amarras daquilo que já não faz sentido no nosso progresso.

Voltamos à Casa Terra e aos seus luxuriantes jardins, com a certeza de encontrarmos o mesmo ambiente acolhedor, o conforto e a beleza de um espaço pensado ao pormenor e que por si só é transformador.

O retiro será orientado pelos professores Teresa e Tiago. Para mais informações utilize a nossa página de contactos. Veja abaixo o vídeo de apresentação da Casa Terra.

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